Bola
pra frente
*José Álvaro
de Lima Cardoso
Os
indicadores mais recentes
(emprego, crescimento do Produto
Interno Bruto, investimentos
externos, comércio)
permitem prever crescimento
positivo da economia brasileira
em 2009. Neste contexto, merece
destaque a retomada do crescimento
industrial, fundamental na
recuperação
da economia, e que se tornou
mais vigoroso a partir de
julho. O comportamento do
mercado formal de trabalho
em Santa Catarina no mês
de agosto é exemplo
do que ocorre na economia
neste momento. Foram gerados
quase 12.000 novos empregos,
o melhor resultado deste outubro
de 2008, com franca recuperação
em todos os setores, com exceção
da indústria extrativa
mineral, que apresentou pequena
queda.
Mas a sustentação
deste processo depende da
retomada dos investimentos,
que são os últimos
a retornar em uma crise como
a atual, muito caracterizada
pelo abalo da confiança
dos chamados agentes econômicos.
As empresas em um primeiro
momento usaram os seus estoques.
Com o esgotamento destes elas
retomaram a produção,
utilizando a capacidade industrial
que estava ociosa. O investimento
deve retornar quando o uso
da capacidade instalada atingir
níveis mais elevados
- era de 86% antes do início
da crise - o que possivelmente
só irá ocorrer
no início de 2010.
O retorno do investimento
é fundamental para
garantir a oferta futura de
bens, em um contexto onde
a massa de salários
continua expandindo, apesar
dos percalços (além
da retomada do emprego, em
janeiro o salário mínimo
será reajustado em
quase 10%). O investimento
é fundamental, dentre
outras razões, para
a manutenção
da estabilidade da inflação
baixa, que é tão
importante para os resultados
das negociações
coletivas - no primeiro semestre
deste ano, apesar da crise,
aumentou o número de
categorias que obtiveram ganhos
reais, segundo pesquisa do
Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (DIEESE).
Os indicadores mais recentes,
especialmente os de mercado
de trabalho, coloca o processo
de negociação
entre capital e trabalho em
uma perspectiva diversa daquela
enfrentada entre outubro de
2008 e meados de 2009. A crise
não prejudicou os resultados
das negociações,
aos poucos o mercado volta
a gerar empregos de forma
mais vigorosa, e a economia
já ingressou em um
ciclo de maior crescimento,
inclusive pela aproximação
das festas de final de ano.
Os acordos para a redução
da jornada e de salários,
realizados na indústria
no primeiro trimestre do ano,
vêm sendo finalizados
em função da
retomada da produção
industrial e as expectativas,
de uma forma geral, desanuviaram
com os recentes resultados
do PIB.
A melhoria dos indicadores
econômicos é
fundamental para toda a sociedade.
Mas o se o crescimento econômico
é condição
necessária para a melhoria
de vida da população,
ele é insuficiente.
A qualidade do emprego precisa
melhorar muito. Os salários,
por exemplo, são extremamente
baixos: cerca de 80% dos empregos
gerados no Brasil não
superam 2 salários
mínimos. Além
disso, a rotatividade do trabalho
é imensa, o que prejudica
a elevação salarial
e a própria qualidade
do trabalho. A experiência
recente nos mostra que o mercado,
por si só, não
resolve os problemas da sociedade.
Há muito que fazer,
é hora de avançar
nas conquistas da sociedade.
*Economista e supervisor técnico
do DIEESE em SC.