Movida
reúne mais de mil manifestantes
em Lages
Ato Público marcou a passagem
do 28 de abril Dia Internacional
em
Memória da Vítimas
de Doenças e Acidentes de
Trabalho
Nem
mesmo a forte chuva atrapalhou a
série de manifestações
promovidas pelo Movida (Movimento
em Defesa da Saúde e Segurança
da Classe Trabalhadora), em Lages,
para marcar o 28 de abril - Dia
internacional em memória
das vítimas de doenças
e acidentes de trabalho. Mais de
mil trabalhadores e trabalhadoras,
portadores de doenças profissionais,
dirigentes sindicais do campo e
da cidade participaram do Ato Público
e passeata pelas ruas centrais da
cidade. "Quero vê-la
sorrir, quero vê-la cantar,
quero ver o seu corpo não
se acidentar", ou ainda, "pra
saúde melhorar olê,
olê, olá, lutamos já",
entoavam os manifestantes que, no
início da tarde, ainda fecharam
o entroncamento da BR-282 com a
avenida Luiz de Camões, abaixo
de chuva. A Prefeitura, a Câmara
de Vereadores de Lages e as polícias
Militar e Rodoviária Federal
contribuíram com a realização
dos manifestos.
Formado
por dezenas de entidades do movimento
sindical e social de Santa Catarina,
o Movida definiu em uma "Carta
à Sociedade Brasileira",
as principais reivindicações
ao governo do estado e ao empresariado
quanto à saúde e segurança
da classe trabalhadora: "a
imediata redução da
jornada de trabalho para 40 horas
semanais, com o fim do trabalho
aos sábados, além
da diminuição do ritmo
de produção nas empresas;
aprovação do Projeto
de Lei 076/2007, do deputado Jailson
Lima da Silva, que regulamenta a
lei contra o assédio moral;
aprovação do projeto
de lei instituindo o Salário
Mínimo Regional em SC; que
o INSS forneça dados reais
sobre a realidade das doenças
e acidentes de trabalho no estado;
que se institua na Assembléia
Legislativa uma comissão
de investigação sobre
a atuação dos médicos
peritos e uma CPI Nacional dos Médicos
e Peritos do INSS; apoio efetivo
aos programas de valorização
da agricultura familiar, pelo direito
à terra; e que a federação
patronal, Fiesc, oriente seus filiados
a reduzirem a jornada para 40 horas
semanais de trabalho e concedam
aumento real de salários
com base no crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto) do país".
Campo
e cidade na luta pela vida
O ato público
promovido pelo Movida, neste ano,
contou com a participação
das entidades ligadas aos trabalhadores
rurais, como a Fetaesc (Federação
dos Trabalhadores na Agricultura
de SC), o MST (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra) e a Via Campesina.
"Nunca a vida foi tão
violentada em nosso país
como agora, com a superexploração
do trabalho no campo e na cidade,
com as transnacionais de alimentos
se apoderando da terra, das sementes,
impondo os transgênicos, assassinando
os trabalhadores rurais", manifestou-se
o representante do MST, Vilson Santin.
O objetivo
do Movida é também
alertar para a "necessidade
de lutarmos por um Sistema Único
de Saúde e uma Previdência
universais, pela reduçãop
da jornada de trabalho como forma
de contribuir para a saúde
dos trabalhadores e na geraçao
de mais e melhores empregos".
Os manifestantes advertem ainda
para o drama dos milhares de portadores
de doenças do trabalho (LER/DORT),
assim como das vítimas do
assédio moral e sexual e
dos acidentes de trabalho. "Nada
menos de 250 pessoas morrem por
dia e entre 40 a 50 acidentes acontecem
a cada sete minutos, no país",
diz o documento encaminhado pelo
Movida às autoridades estaduais,
às entidades patronais, ao
INSS e à Delegacia Regional
do Trabalho, além dos deputados
estaduais e federais catarinenses.
Durante
a passeata pelo centro de Lages,
os manifestantes aprovaram moções
de repúdio à Celesc
(9ª empresa em número
de acidentes de trabalho, em 2007,
ano em que 167 de seus trabalhadores
vieram a falecer); à empresa
Klabin, por negar o pagamento do
adicional de insalubridade a 1.200
trabalhadores; e à Prefeitura
de Rio Negrinho que, há três
meses, não paga os salários
a seus servidores (a categoria está
em greve no município). "O
ato serviu de alerta às autoridades
e queremos o atendimento das reivindicações.
Agradecemos a solidariedade da população
de Lages e suas lideranças
sindicais e ao povo do campo e da
cidade que atenderam ao chamado
do Movida", resumiu o presidente
da Fetiesc, uma das entidades que
compõem o Movida, Idemar
Antônio Martini.