Quase
mil manifestantes na luta por
um trabalho sadio
Ato Público em Memória
das Vítimas de Doenças
e Acidentes do Trabalho reuniu
dirigentes sindicais e trabalhadores
de todo o estado
Jaraguá
do Sul – Trabalhadores
de todo o Estado e das mais
diversas categorias percorreram
ruas centrais da cidade em protesto
ao descaso com a saúde
do trabalhador e número
cada vez maior de casos de doentes
em decorrência do trabalho.
A manifestação
marcou o Dia Internacional em
Memória das Vítimas
de Doenças e Acidentes
de Trabalho – celebrado
em 28 de abril – e o sexto
ato público do Movida
(Movimento em Defesa da Saúde
e Segurança da Classe
Trabalhadora Catarinense) desde
a sua fundação,
em maio de 2003, na Fetiesc
(Federação dos
Trabalhadores nas Indústrias
de Santa Catarina). A concentração
começou às 9horas,
em frente ao prédio do
INSS e terminou na Praça
Ângelo Piazera, por volta
do meio dia, seguida de almoço
coletivo na Sociedade Amizade.
A estimativa dos organizadores
é de que cerca de mil
pessoas participaram.
A
concentração do
ato público foi em frente
ao prédio do INSS, onde
dirigentes sindicais manifestaram
suas posições
em relação ao
atendimento da perícia
médica prestado aos trabalhadores
e uma comissão entregou
carta aos responsáveis
pelo Instituto. A presidente
do Sindicato dos Trabalhadores
Têxteis de Blumenau e
secretária de Saúde
da Fetiesc, Vivian Bertoldi,
foi bem clara: "Viemos
para a frente do INSS devido
aos maus tratos dos funcionários
para com os trabalhadores",
afirmou a sindicalista, que
trouxe um ônibus lotado
de trabalhadores, a grande maioria
mulheres portadoras de lesão
por esforço repetitivo
(LER/Dort). Depois do INSS os
manifestantes seguiram em passeata
pelas ruas centrais até
a Praça Ângelo
Piazera, onde aconteceram novos
pronunciamentos e apresentação
teatral do grupo Gats, que divertiu
o público com uma encenação
de atendimento médico
do INSS.
Movida
em Jaraguá do Sul
A
realização do
ato público do Movida
em Jaraguá do Sul aconteceu
devido a união de todos
os Sindicatos de Trabalhadores
de Jaraguá do Sul e Região,
que apoiaram a iniciativa e
colaboraram na organização.
Este ano o lema do Movida foi
"O custo do crescimento
econômico não pode
ser a vida da classe trabalhadora".
O presidente do STIVestuário,
Gildo Antônio Alves, recepcionou
a todos e se encarregou da organização.
A escolha por Jaraguá
do Sul como local da manifestação
do Movida deste ano deu-se em
função do grande
número de doentes e lesionados
pelo trabalho, número
este que cresce a cada dia.
"Muitos fazem parte da
APDP (Associação
dos Portadores de Doenças
Profissionais) entidade mantida
pelos Sindicatos e que presta
atendimento em sala cedida junto
ao Sindicato dos Empregados
do Comércio", lembra
Gildo Alves.
Apoio
profissional e político
O
médico do trabalho e
deputado estadual pelo PT Jailson
Lima da Silva atende os portadores
de doenças profissionais
cadastrados na APDP. De acordo
com ele, que é especialista
em Reumatologia e LER/Dort,
as estatísticas apontam
o surgimento de cerca de 500
novos casos de doenças
ocupacionais por ano na região.
Somente em Jaraguá do
Sul ele atende cerca de mil
pessoas. São mulheres
e homens, jovens na sua maioria,
já mutilados pelo sistema
de trabalho. "Jaraguá
do Sul é um dos mais
importantes polos econômicos
do estado, tem uma das maiores
rendas per capita de Santa Catarina,
mas enfrenta hoje a epidemia
silenciosa e humilhante das
doenças do trabalho",
discursou Jailson, lembrando
que, regra geral, "as empresas
não reconhecem o problema
e a Previudência Social
não reabilita o trabalhador,
por isso, a luta do Movida é
perseverante, até que
mude esse cenário".
Quando
a união faz a força
Representantes
de Centrais Sindicais, Federações
e Sindicatos de trabalhadores
de Santa Catarina, Paraná
e Rio Grande do Sul compareceram
ao ato público, demonstrando
assim a união da classe
trabalhadora na luta pela implantação
de um modelo econômico
que não puna os trabalhadores
com a perda da saúde,
o bem maior do ser humano. O
presidente dos Têxteis
do Rio Grande do Sul, João
Pires salientou o trabalho do
Movida e disse que o Rio Grande
do Sul iria seguir o mesmo caminho
de Santa Catarina. O presidente
da Fetiesc, Idemar Antônio
Martini disse que o Movida é
de toda a sociedade e conclamou
os trabalhadores a continuarem
na luta pela redução
de jornada sem redução
de salário como forma
de diminuir o crescente número
de doentes ocupacionais. "Vamos
trabalhar menos e viver melhor",
resumiu.
Sem
sensibilidade nas mãos
e feridas pelo corpo
O
pedreiro Cícero Alves
do Carmo, 28 anos, é
um dos casos mais dramáticos
ocorridos em Jaraguá
do Sul. Há cinco anos
ele "queimou" as mãos
com um produto químico
enquanto pintava o telhado de
uma casa. A contaminação
foi tão forte e irreversível
que atualmente Cícero
não consegue segurar
por muito tempo nem um simples
jornal. Perdeu a sensibilidade
nas mãos, por onde saem
feridas que se espalham pelo
corpo. Há dois anos ele
luta para ter sua doença
reconhecida como tendo origem
no trabalho. Não está
recebendo salário e tampouco
tem condições
de trabalhar. "Como fica
a minha situação?",
questiona Cícero, que
faz parte da APDP. Em suas idas
e vindas ao INSS, Cícero
conta que teve seu pedido de
auxílio doença
negado quando da perícia
médica, "feita por
um ginecologista".
VEJA
AS FOTOS DO ATO AQUI!
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