Marcha
dos Catarinense reúne
quatro mil pessoas em Florianópolis
Florianópolis
- A concentração
dos trabalhadores e trabalhadoras
que participaram da Marcha dos
Catarinenses – Pela Vida
e Saúde da Classe Trabalhadora
foi na Praça Tancredo
Neves, em frente à Assembleia
Legislativa. Foram chegando
aos poucos e tomando conta do
espaço. Cada sombra disputada
e dividida. Todos em volta do
caminhão de som, de onde
partia as orientações
aos manifestantes e de onde
as lideranças deram o
seu recado. Vieram de todos
os pontos de Santa Catarina.
Tinha gente do Norte, do Sul,
do Meio Oeste e da capital também.
No total, a coordenação
estima que 4 mil trabalhadores
e trabalhadoras saíram
da praça em caminhada
pelas ruas centrais de Florianópolis
na tarde de 28 de abril.
A Marcha manifesta a indignação
dos trabalhadores e trabalhadoras
com a política de saúde
para os portadores de doenças
do trabalho e vítimas
de acidentes de trabalho e celebra
o Dia Internacional em Memória
das Vítimas de Doenças
e Acidentes de Trabalho, em
28 de abril. Todas as bandeiras
de lutas dos trabalhadores e
trabalhadoras de Santa Catarina
foram levantadas a uma só
voz na Marcha dos Catarinenses,
que foi promovida em conjunto
por todas as centrais sindicais
de trabalhadores do Estado,
a Fetiesc, o Movida (Movimento
em Defesa da Saúde e
Segurança da Classe Trabalhadora
Catarinense), CNTI, Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra
(MST) e Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Urbanas (MMTU).
Esqueceram as diferenças
em nome do compromisso para
com a luta da classe trabalhadora.
Os manifestantes denunciaram
a exploração e
a falta de reconhecimento do
patrão para com os trabalhadores
e trabalhadoras, o assédio
moral e sexual, os baixos salários
e outras formas de exploração.
No trajeto, foram distribuídos
entre a população
material informativo contendo
os motivos e os objetivos da
Marcha, entre eles, a redução
da jornada de trabalho, a valorização
do piso estadual de salário,
implementação
do piso nacional da educação,
valorização dos
servidores públicos,
universalização
dos direitos sociais, ética
e moralidade na política
e reforma agrária e política
agrícola.
Apoio político
Os deputados do PT na Assembleia
Legislativa, Dirceu Dresch e
Pedro Uczai, e Ângela
Albino, do PCdoB, subiram no
caminhão de som e se
pronunciaram favoráveis
à Marcha e às
reivindicações
dos manifestantes. Todos apontaram
a união das centrais
sindicais como fator decisivo
para a conquista das reivindicações
e citaram como exemplo a aprovação
do Piso Estadual de Salário,
em setembro do ano passado.
A ex-presidente do PT de Santa
Catarina, Luci Choinacki, foi
contundente em seu discurso,
dirigido especialmente às
mulheres: "Não nascemos
apenas para criar filhos e trabalhar.
Somos capazes de transformar
o mundo", falou Luci, que
é pré-candidata
a deputada federal. Vereadores
da capital e de outras cidades,
assim como ex-deputados e pré-candidatos
às eleições
deste ano também demonstraram
seu apoio participando da manifestação.
Dificuldade para trabalhar
O bancário Luiz Carlos
Godinho, 55 anos, é bancário
em Florianópolis e ao
longo dos muitos anos de profissão
acabou com problemas nos ombros.
Acontece que Godinho é
paraplégico e, para trabalhar
com mais comodidade, precisaria
de móveis adaptados a
sua condição física.
"Mas essa adaptação
nunca aconteceu e estou lutando
com a perícia para ver
se reconhecem meu problema nos
ombros", conta o bancário,
que participou da Marcha. De
acordo com ele, a manifestação
foi muito boa, mas poderia ser
melhor. "Pelo número
de trabalhadores doentes e acidentados
do trabalho, acho que tem pouca
gente", resumiu o bancário.
Fetiesc entrega cartilha sobre
doenças do trabalho
A Fetiesc (Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias
de Santa Catarina) confeccionou
milhares de cartilhas que abordam
os mais variados aspectos das
doenças e acidentes de
trabalho. A publicação
foi distribuída entre
os participantes da Marcha e
ao povo nas ruas da capital.
A Fetiesc desenvolve um trabalho
de longa data na prevenção
e conscientização
no que se refere à saúde
dos trabalhadores e trabalhadoras.
O presidente da Fetiesc, Idemar
Antônio Martini, classificou
a Marcha como um marco na história
de luta dos trabalhadores catarinenses
e prevê maior número
de pessoas na manifestação
de 2011. "Ano que vem vamos
reunir 10 mil trabalhadores
e trabalhadoras para celebrar
o Dia Internacional em Memória
às Vítimas de
Doenças e Acidentes de
Trabalho", planeja.
Movida nas camisetas dos manifestantes
O Movida – Movimento em
Defesa da Saúde e Segurança
da Classe Trabalhadora –
esteve presente não apenas
no emblema das camisetas usadas
pelos manifestantes. O Movida
foi pioneiro na luta pela saúde
do trabalhador ao denunciar
as dificuldades dos lesionados
com a perícia médica
do INSS e cobrar dos representantes
do governo a implantação
de uma política de saúde
pública favorável
aos trabalhadores. Foi fundado
pela Fetiesc em 6 de maio de
2003. Ao longo destes anos promoveu
manifestações
em várias cidades do
Estado, tendo como tema o Dia
Internacional em Memória
das Vítimas de Doenças
e Acidentes do Trabalho. Ganhou
abrangência nacional com
o Movida Brasil e a realização
do 1º Encontro Nacional
para apurar a conivência
dos peritos do INSS com os médicos
de empresas no fornecimento
dos laudos.
Nos anos de 2004 e 2005 o Movida
promoveu audiências públicas
na Assembleia Legislativa, com
participação expressiva
da classe trabalhadora. Em 2006
a manifestação
aconteceu em Blumenau; em 2007,
em Florianópolis, em
frente à Fiesc (Federação
das Indústrias de Santa
Catarina) e pelas ruas centrais
da capital; em 2008, em Lages,
com adesão do trabalhador
do campo; em 2009, em Jaraguá
do Sul; e, em 2010, novamente
na capital.
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