Assédio
moral é crime
Tema foi abordado
no 10º Encontro
da Mulher Trabalhadora
da Fetiesc, realizado
dia 29 de março,
em Itapema
Por
Sérgio Luis
H. dos Santos -
Jornalista
Itapema
– Assédio
moral no ambiente
de trabalho foi
o tema do 10°
Encontro Estadual
da Mulher Trabalhadora
da Fetiesc (Federação
dos Trabalhadores
nas Indústrias
de Santa Catarina),
realizado domingo
(29 de março),
na Escola de Formação
Sindical, em Meia-Praia.
Cerca de 300 trabalhadoras,
vindas de várias
cidades, aproveitaram
a manhã de
sol para debater
acerca de um dos
mais graves males
da classe trabalhadora
e também
para comemorar a
décima edição
do "Encontrão".
O juiz do trabalho
Carlos Alberto Pereira
de Castro foi o
palestrante. Ele
explicou como funciona
a Justiça
em caso de assédio
moral e salientou
a necessidade de
provas e a dificuldade
em obtê-las.
"O caminho
é a denúncia
para o Ministério
Público do
Trabalho e a busca
pela prova. O importante
é não
desistir",
resume.
O
Encontro Estadual
da Mulher Trabalhadora
é promovido
pela Secretaria
da Mulher da Fetiesc,
comandada por Marli
Leandro, que é
presidente do Sindicato
dos Trabalhadores
do Vestuário
de Brusque e Guabiruba.
A cada edição
se discute um tema
de interesse específico
da mulher trabalhadora.
"Ano passado
o tema foi a mulher
e o poder de transformar
o mundo", lembra
Marli. Segundo ela,
a discussão
deste ano recaiu
sobre assédio
moral devido ao
grande número
de denúncias
feitas aos Sindicatos
e a enorme dificuldade
em resolver ou minimizar
este "crime"
que é cometido
diariamente.
O
assédio moral
é conhecido
de todas as trabalhadoras.
"Antes não
se falava nada sobre
isso, nem tinha
nome", comenta
Apolônia Korb,
55 anos, de Blumenau.
Ela está
aposentada há
12 anos e conta
como era na época.
"No meu tempo,
comum eram os xingamentos
por causa da produção.
A gente fazia todo
o possível
mas, às vezes,
não conseguia
atingir a meta.
Aí éramos
chamadas de preguiçosas,
que não gostávamos
de trabalhar",
lembra Apolônia,
que era da área
têxtil. A
costureira de Chapecó,
Maria Silva, 50
anos, confirma:
"Tem que produzir.
Tem que atingir
a meta. Caso contrário
eles dizem que a
gente não
serve pra empresa",
afirma Maria, que
tem 30 anos de costura.
Espionando
o trabalhador
O
tempo passou e hoje
o que se vê
é a "sofisticação
do assédio
moral". De
acordo com sindicalistas,
as câmaras
de vídeo,
instaladas em muitas
fábricas,
servem para espionar
o trabalhador inclusive
quando ele vai ao
banheiro. A presidente
do Sindicato de
Fiação,
Tecelagem e Vestuário
de Rio do Sul e
região, Zeli
da Silva, demonstra
preocupação
com esse fato. "É
uma prática
cada vez mais comum
e não estamos
conseguindo resolver",
afirma Zeli. Da
mesma preocupação
partilha a presidente
dos Têxteis
de Blumenau, Vivian
Bertoldi. "Não
conseguimos retirar
as câmaras
dos locais de trabalho,
trabalhador mais
parece big-brother",
desabafa.
Crime
contra a honra
O
juiz do Trabalho
Carlos Alberto Pereira
de Castro entende
que a grande dificuldade
para comprovação
do assédio
moral é conseguir
a prova "porque,
quem faz, o faz
de maneira mascarada,
escondida".
Acostumado a julgar
esser tipo de crime
que atinge a honra,
a imagem, a intimidade
e a privacidade
do trabalhador e
trabalhadora, Carlos
Alberto aconselha:
"Se você
corre o risco de
sofrer o assédio
moral, evite permanecer
sozinho com o assediador
e fique próximo
de uma possível
testemunha. Se,
mesmo isso, não
for possível,
procure o Sindicato
e o Ministério
Público do
Trabalho e faça
a denúncia".
O juiz, que atua
na 4ª Vara
do Trabalho, em
Blumenau, considera
que a mulher ainda
sofre mais o assédio
porque é
mais discriminada,
"tanto no ganho
salarial, como na
ascensão
profissional".
A maioria das ações
de indenização
por dano moral consequente
do assédio
no trabalho é
de mulher. "Temos
mais homens nas
chefias e as mulheres,
em geral, são
subordinadas",
explica o juiz.
Carlos
Alberto de Castro
vê o assédio
moral no trabalho
com diversos graus
de gravidade. "Há
aquele que se esgota
numa única
situação,
e outro, que se
transforma em verdadeiro
terrorismo contra
o trabalhador",
lembra, justificando
que não há
critério
objetivo de indenização
a ser estabelecida
pela Justiça,
"dependendo,
principalmente,
do tamanho da empresa
e também
da subjetividade
de cada juiz".
Mas a pena tem duas
intenções:
"primeiro,
para que a empresa
não faça
novamente e, por
fim, para que sofra
o prejuízo
do constrangimento".
A
pressão por
cumprimento de metas,
principal fator
que caracteriza
o assédio
moral no trabalho,
"pode ocasionar
desde acidentes
de trabalho (como
perda de membros
do corpo) até
estresse que pode
gerar outras doenças,
inclusive infarto
e acidente vascular
cerebral",
adverte o juiz.
Para Carlos Alberto
de Castro a tendência
é de haver
uma diminuição
do número
de ações
por assédio
moral na Justiça.
"O seu crescimento
foi fruto da competitividade,
da concorrência
e muitas vezes o
empregador descarrega
tudo nos trabalhadores".
Na sua avaliação,
"um Judiciário
que dê ouvidos
aos clamores da
classe trabalhadora
pode fazer com que
os empregadores
repensem seus atos".
Participação
da mulher no movimento
sindical aumenta
A
secretária
da Mulher da Fetiesc,
Marli Leandro, lembra
que o Encontro da
Mulher Trabalhadora
é momento
de reflexão,
de confraternização
e também
para desabafar sobre
as angústias
do cotidiano e do
mundo do trabalho.
De acordo com ela,
o aumento da participação
da mulher no movimento
sindical tem sido
a principal conquista
da Secretaria da
Mulher e do trabalho
realizado pelos
Departamentos da
Mulher dos Sindicatos
filiados à
Federação.
"Hoje temos
seis sindicatos
filiados presididos
por mulheres",
cita Marli.
A
participação
da mulher trabalhadora
na política
também faz
parte da estratégia
da Secretaria da
Mulher. Na avaliação
de Marli ainda estamos
longe de atingir
um número
representativo de
mulheres trabalhadoras
na política.
"É preciso
acreditar na política
como forma de fazermos
valer nossos direitos
e buscarmos justiça",
afirma Marli, que
foi candidata a
vereadora nas eleições
de 2008. No que
se refere a igualdade
de direitos e oportunidades,
Marli diz que pouca
coisa tem mudado.
"A caminhada
é longa e
as mudanças
acontecem lentamente.
O importante é
não desistir",
insiste a líder
sindical.
Exemplo
a ser seguido
O
presidente da Fetiesc,
Idemar Antônio
Martini salientou
a importância
da Secretaria da
Mulher e dos Encontros.
De acordo com ele,
o trabalho realizado
até agora
foi responsável
pelo ingresso da
mulher trabalhadora
no movimento sindical,
que sempre foi o
principal objetivo
da diretoria da
Fetiesc. "Antes
da criação
do Departamento
da Mulher, que depois
virou Secretaria,
poucas mulheres
participavam do
Sindicato. Esta
realidade mudou,
mas ainda falta
muito", admite
Martini, citando
que muitos Sindicatos
filiados à
Federação
ainda não
criaram o seu Departamento
da Mulher. "Temos
43 sindicatos filiados
e muitos ainda não
fizeram esse dever
de casa", comenta.
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