Fespam busca unificação para seguir na Luta

Itapema – A Federação dos Trabalhadores Papeleiros do Mercosul (Fespam) precisa unificar a luta dos trabalhadores papeleiros de Argentina, Brasil, Uruguai e Chile porque, hoje, as empresas estão interligadas em todos os países. Este foi o maior desafio manifestado pelo presidente da Fespam e da Federação dos Papeleiros da Argentina, Blas Juan Alari, durante Seminário realizado na Fetiesc dia 18 de maio e que contou com dirigentes sindicais do setor, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. "Precisamos do intercâmbio e os sindicatos filiados à Fetiesc são vitais para a organização dos trabalhadores do papel e celulose da América do Sul, reforçou o presidente da Fespam, que congrega hoje 70 entidades sindicais, sendo 27 da Argentina, e aproximadamente 180 mil trabalhadores nos quatro países.

Juan Alari prevê, para os próximos anos, a hegemonia dos países do Mercosul na industrialização do papel e celulose, em todo o mundo. "O futuro não está na Europa, mas na América, em virtude dos recursos naturais, energia, rios, entre outros motivos, citando como exemplo que o Brasil detém hoje a tecnologia de extração do cânhamo do bambu. O presidente da Fespam manifestou esperança de que os trabalhadores do sul do Brasil estejam representados na Fespam, "que participem, discutam, critiquem, para que a entidade possa crescer, como deve ser". Ele reforça que "o principal objetivo da Fespam, entidade com 15 anos de existência, é a unidade dos trabalhadores papeleiros. A sede da Federação é em São Paulo e a subsede, em Buenos Aires, e os dirigentes se reúnem três vezes por ano para apresentarem projetos comuns a cada governo do Mercosul, como contrato coletivo de trabalho, etc. "Buscamos acordos nos pontos que nos unem", disse Alari.

Sul integrado

O presidente da Fetiesc, Idemar Antônio Martini, reiterou que os dirigentes do sul do país estão integrados à Fespam. Ele fez breve relato sobre a situação política do país, lembrando que "o movimento sindical e os trabalhadores em geral vivem o melhor momento de sua história, em 50 anos, com emprego e liberdade sindical". Para Martini, "o governo Lula fez a diferença". No entanto, considera que "os sindicatos não se organizaram para enfrentar o capital neste momento e enumera alguns desafios: "No país, hoje, por força de uma Portaria, permite-se a criação de várias federações por ramo de atividade, a contribuição confederativa vem sendo contestada no Judiciário e ainda não se achou uma alternativa viável para a manutenção do sistema sindical, e ainda há o problema da estabilidade do dirigente sindical, não reconhecida em sua plenitude". Dias 3 e 4 de agosto acontece o Congresso da Fespam, em Buenos Aires, Argentina.

Símbolo da pobreza

Blasi Juan Alari tece severas críticas à presidente Cristina Kirchner, na Argentina. "O governo da Argentina não é de esquerda, nem federalista, é composto pelo ex-presidente e sua esposa, um governo totalitário, porque não deixa o Congresso funcionar, tudo surge por meio de decreto lei, e somos contrários a isso", denunciou Alari. Ele disse que a maior central sindical argentina, a CGT, "é base do governo" e que "existem dois núcleos internos de oposição, que não estão de acordo com a CGT porque os dirigentes são sujeitos ao governo". O presidente da Fespam lembrou que há 14 anos não existe conflito por salário, na Argentina, porque sempre chega-se a um acordo - "são 18 anos sem greve", afirmou.

Sobre a difícil situação econômica atual do país vizinho, Alari exemplifica: "Nosso país tem a mesma legislação da época da ditadura militar, metade dos 40 milhões de argentinos estão desempregados ou subempregados, recebendo do governo uma espécie de ‘bolsa família’ que procura calar as manifestações, apesar de acontecerem diariamente. Juan Alari demonstra preocupação com o crescimento das empresas multinacionais na Argentina (Klabin, Suzano, Petrobras são alguns exemplos), informando que 40% dos frigoríficos estão nas mãos do capital brasileiro.

"Capital estrangeiro não dá nem quita nada, apenas mantém como está e, se puder, explora e depois sai do país", sentencia o presidente da Fespam, lembrando ainda que centenas de pequenas empresas argentinas fecharam nos últimos anos. O Seminário na Fetiesc contou ainda com a participação dos dirigentes sindicais argentinos Carlos Maldonado e Carlos Lamarque, de dirigentes dos sindicatos dos Trabalhadores do Papel de Guaíba (RS), da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná (Fetiep) e de Sindicatos do setor do Papel ligados à Fetiesc, Três Barras e Lages.


 
 
 
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