Trabalhadores da Tronic de Xaxim em greve
pelo pagamento do Piso Estadual de Salários
Chapecó
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Os trabalhadores da Tronic Indústria
de Materiais Esportivos Ltda , em
Xaxim, entraram em greve no dia
25 de fevereiro, por tempo indeterminado,
até que a empresa cumpra
a Lei Complementar 459/2009, que
instituiu o piso estadual de salário,
entre outras reivindicações.
No caso dos trabalhadores e trabalhadoras
do Vestuário, o piso estadual
é de R$ 616,00 e a reivindicação
é de 15% de reajuste salarial.
Dos 184 trabalhadores e trabalhadoras
da empresa, no município,
mais de 150 aderiram à greve,
na estimativa do presidente do Sindicato
dos Trabalhadores de Fiação,
Tecelagem e do Vestuário
de Chapecó e Oeste de SC
(Sitrivesch), Sebastião Nélio
da Costa. A totalidade da área
de produção da empresa
está paralisada.
A direção
do Sindicato e a assessoria jurídica
da Fetiesc buscaram todas as formas
de negociação com
os patrões da Tronic, que
insistem em alegar que a empresa
não é obrigada a cumprir
a Lei Complementar 459/09. Desde
a Assembléia Geral Extraordinária
realizada dia 8 de fevereiro, os
trabalhadores e trabalhadoras entraram
em estado de greve. Em 19 de fevereiro,
os patrões da Tronic solicitaram
novo prazo para dar resposta ao
movimento. O prazo concedido para
a assinatura do Acordo Coletivo
de Trabalho, comunicado oficialmente
à empresa, foi até
as 12 horas do dia 25.
Naquele
dia realizamos nova negociação
com os representantes da empresa, a
comissão representante
dos trabalhadores e também
com a presença da Fetiesc
e dos assessores jurídcos
do Sitrivesch, Drs. Paulo Barella
e Valmor de Paula, recorda Nélio.
Na ocasião, a empresa propôs
o pagamento de R$ 30,00 aos salários
de março e igual valor em
abril, a título de abono,
com teto máximo até
R$ 616,00. Além disso,
outros R$ 50,00 no mês de
julho e R$ 40,00, em outubro, ambos
a título de premio assiduidade.
Mas a proposta foi rejeitada pela
unanimidade dos trabalhadores e
trabalhadoras presentes à
Assembléia realizada às
13h 12min do dia 25, quando foi
aprovado a greve.
Greve cresce
A paralisação
está crescendo, avalia o
presidente do Sitrivesch, estimando
que 95% estão parados, só
entraram na empresa os encarregados.
Nélio estranha que desde
o início da greve até
a presente data a empresa não
se manifesta", talvez apostando
no cansaço do pessoal, mas
os trabalhadores estão firmes
na sua decisão. Como estamos
na semana de pagamento dos salários,
Nélio acredita que os patrões
possam usar a data limite de pagamento
como forma de pressão para
que a categoria volte ao trabalho.
Se isso acontecer, vamos fazer denúncia
no Ministério Público
do Trabalho, porque o salário
dos trabalhadores não pode
ser retido, adianta.
Estaca zero
A
Tronic paga hoje aos trabalhadores
e trabalhadoras um piso salarial
de R$ 526,00, previstos na atual
Convenção Coletiva
de Trabalho a data-base da categoria
é em 1º de maio e a
Assembleia Geral de aprovação
da pauta de reivindicações
será realizada no decorrer
do mês de março. Boa
parte das empresas já paga
o Piso Estadual de Salário,
mas a Tronic utiliza-se do
argumento de que em categorias com
Acordo ou Convenção
Coletiva prevalece o negociado,
comenta Nélio. No entanto,
insiste, deve prevalecer aquela
lei que beneficia mais os trabalhadores,
e não o contrário.
Para o presidente do Sitrivesch,
o período de data-base vai
fortalecer ainda mais a mobilização
da categoria, a partir da greve
na Tronic.
Além
das reivindicações
econômicas, os trabalhadores
e trabalhadoras exigem que a empresa
efetive a distribuição
de cesta básica mensal, com
30 quilos de alimentos, uma reivindicação
antiga, lembra Nelio. Além
disso, que a empresa institua o
vale transporte gratuito aos trabalhadores
e trabalhadoras que atuam em Xaxim,
a exemplo do que acontece com a
unidade da empresa em Chapecó.
Entendemos que isso é uma
atitude discriminatória com
os demais trabalhadores e trabalhadoras,
defende Nélio, que destaca
ainda a garantia de emprego para
retorno ao trabalho.
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